
A
Fruta do Sabiá ocorre desde o Caribe e America Central até o Sul do Brasil, em
ambientes em processo de regeneração.
Destaca-se pela abundancia de flores brancas em cachos que logo se transformam
em pequenas bagas alaranjadas quando fazem a alegria dos pássaros e peixes.
Além dos predicados ornitófilos a Fruta do Sabiá vem sendo objeto de muitas
pesquisas recentes pois descobriu que um grupo de substâncias presentes em suas
folhas { vitanolideos } possuem destacada atividade anticancerígena.
Na obra, Aves Brasileiras e plantas que as atraem, de Johan e Cristian Dalgas
Frisch, de 2005 apresentam uma bela gravura de um Sabiá laranjeira
refestelando-se com a Fruta do Sabiá.
Com a crescente urbanização e redução de áreas verdes, quem não gostaria
de atrair pássaros para seus jardins, quintais ou mesmo em varandas de
apartamentos.

1.
a espécie Acnistus arborescens, da
família Solanaceae (solanáceas), é nativa em bordas de matas e clareiras da
mata atlântica no Sudeste do Brasil, tendo sido observada por mim nos Estados
do Rio de Janeiro e São Paulo;
2.
a planta forma árvores com até cinco metros de altura e igual diâmetro de
copa;
3.
é espécie pioneira, crescendo rápido em pleno sol e tolerando sombra ligeira
de outras árvores;
4.
é espécie adaptada a solos férteis e úmidos;
5.
o nome popular corrente de Acnistus
arborescens é “fruta-de-sabiá”; o nome “cevadeil”, por ser
neologismo, não deve ser empregado;
6.
esse nome vernacular decorre do fato dos “sabiás” (Turdidae) e muitas
outras espécies de aves nativas consumirem avidamente seus frutos, decorrendo
que essas aves são os dispersores naturais das sementes dessa espécie;
7.
os frutos, produzidos em grande parte do ano, são comestíveis para o homem,
sendo doces e agradáveis;
8.
a madeira da “fruta-de-sabiá” é relativamente dura e muito resistente ao
apodrecimento, mesmo em contato com a umidade das chuvas, embora de volume
pequeno, podendo ser utilizado para construção de cercas rústicas, condução
de plantas e outros usos;
9.
em sua área de distribuição natural, é recomendável o plantio de mudas
dessa espécie para compor bosques para recuperação de áreas de mata
degradada (recomposição da vegetação);
10.
em áreas onde não ocorre naturalmente, não deve ser plantada em Áreas de
Preservação Permanente (rios, córregos e lagoas naturais), por não ser
nativa, o que não impede que seja plantada em chácaras, fazendas e jardins
urbanos e rurais, para atração e alimentação de aves frugívoras e onívoras
nativas.
Celso
do Lago Paiva
Engenheiro
agrônomo
Instituto
Pró-endêmicas